Favela do Vidigal: ruas estreitas entre casas bem construídas e barracos nem tanto, formando um labirinto. Subindo vielas, pulando poças d’água, desviando de buracos na irregularidade da escada cimentada, chega-se onde se quer. Com certeza a casa de algum conhecido ou amigo. E, certamente, haverá festa. Sempre há festas nas favelas. E as festas acontecem nas lajes.É impressionante como habitante de favela adora uma laje! É cultural. É a versão pobre da “cobertura” dos ricos. É onde tudo acontece. Tem plantas, mesas, cadeiras, churrasqueira.
Na laje escuta-se música, dança-se, bate-se papo, recebe-se os amigos. Quem não tem laje, na favela, é um coitado.Mas também é onde existem os varais cheios de roupa que secam ao sol, as caixas d’água, os entulhos que sobraram da construção.
Nas lajes das “bocas” ficam os olheiros do tráfico. Eles estão sempre lá, invisíveis e de plantão, tomando conta do morro em busca de possíveis invasões policiais. E também cuidando para que não haja roubos nas imediações, nem mesmo pequenos furtos. Por incrível que pareça, as pessoas se sentem seguras por lá.
O mais impressionante, na laje, é a vista. Principalmente em se tratando do Vidigal, favela incrustada em São Conrado e debruçada sobre o mar.A beleza se entende até onde a vista pode alcançar: toda a orla de Ipanema e, se a noite estiver bonita com direito a céu estrelado e lua cheia que deixa o mar cintilante, o cenário é magnífico. Ao longe o Cristo, brilhando no Corcovado. As luzes coloridas, piscando ao longe, desenhando o contorno mais bonito que existe: as montanhas e o mar do Rio, essa cidade tão linda e tão cheia de contrastes.
O Vidigal é considerado um dos morros mais perigosos do Rio. Vez por outra há guerra entre o tráfico de lá e o da Rocinha e, se a polícia aparece, é um tiroteio só. Mas dificilmente isto acontece.Para todos os lugares para onde se olha se vê festas, bate-papos, gente rindo. Pessoas de todas as idades e música em decibéis consideráveis são uma constante. Mas na favela ninguém reclama. Existe uma alegria, naquele povo, que é contagiante. Coisa que o “asfalto” perdeu. E faz tempo.

4 comentários:
¿?¿?¿?¿?rrssssss?¿?¿?¿?¿?
Lu??
Fiquei muito contente pela visita e surpreso pelas revelações!
Sabe, Lu (ok, estou treinando...), vejo as favelas como uma arquitetura em construção, algo que no futuro significará uma ruptura às formas importadas dos países dominantes e o nascedouro de uma nova via. É claro, que será necessário absorver estruturas que facilitem a vida dos moradores, como vias de acesso, esgoto, energia, água, etc. Porém, o visual caótico é inovador.
Eu nasci num bairro humilde, não era uma favela, mas levava a fama de violenta, como o Vidigal. Nunca fui roubado por lá, nunca presenciei um assalto, não tinha cercas eletrificadas, não tinha alarme em casa. Foi um escândalo quando uma (uma!) vez na infância roubaram uma camisa do varal.
Há que se esquecer do que se acreditava certo para não ver errado em tudo.
Um beijo!
Já está lincada no meus mini-contos!
Sílvio
Lu Cordeiro,
Cordeiro são todos os parentes. Então o que te deslumbrou na arquiterura do Vidigal foram as lages, as coberturas dos milionários de tamancos. As favelas, Lu, não são problemas, são a solução que o cidadão encontrou pelo mais baixo custo. E a segurança que sentem tem haver com a vivência em aglomerados, onde a distância, ou melhor a proximidade gera relacionamento, intimidade e consequemente segurança. Uns são os olhos e ouvidos dos outros. Não há segredos, mas segurança. Enquanto isso, estou numa ressaca daquelas. Nunca, jamais em tempo algum, pelo menos nos últimos 40 anos, havia enfrentado um derrota tão acachapante. Estou procurando as razões e vou achar, mas não abro mão de ser oposição ao (des)governo que eleitos pelos que não leem jornais, mas limpam a bunda com eles. Fica combinado, Eu seguro e vcs batem ou vice e versa. Esse desgraçado, digo desgoverno, está distribuindo a renda classe média que mantem este País. Abs. Eu vou mas volto. Jarbas Cordeiro, do Aparte.
Excelente texto!!
Bjs
Abdel Kareem Nabil Soliman, um bloguer egípcio de 22 anos encontra-se preso pelas autoridades devido a opiniões publicadas no seu blog. Convido todos os que por aqui passam a assinar a petição online pedindo a sua libertação. Mais informação disponível no site Free Kareem!
Petição:
http://www.hamsaweb.com/c2/home.php?id=Kareem
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